quarta-feira, maio 01, 2013
Sou dos meus sonhos
Desde pequeno a gente é acostumado a
ouvir por aí, desde os pais até a mulher na fila do mercado, que a vida é uma
merda. Que homem não presta, que a gente tem que estudar muito, arrumar um
emprego que dê dinheiro e ficar bem de vida. Quando se é criança, você diz amém
e vai brincar na pracinha. Daí alguém fala "Aproveita enquanto você
pode!" e você nunca entende os adultos. Eu cresci e, vou confessar, ainda
não entendo. A vida só é uma merda, quando você acolhe esse tipo de pensamento
que é apresentado tão cedo pra todos nós e passa a viver só pra isso, ter um
emprego que dê muito dinheiro e que te deixe "bem de vida". Mas isso
nunca vai ser estar bem de vida, então a fórmula nunca funciona e é mais uma
pessoa a todo minuto pra reclamar na fila de algum lugar. Viver de peito
aberto, apesar dos pesares, dói, mas nunca vai ser só sobreviver. Eu optei por
trabalhar com o que eu amo, porque sou dos meus sonhos, não escrava de um
contra-cheque. Minha opção é o amor, acho que é bem por aí. Meu objetivo de
vida é uma família feliz, quase um comercial de margarina. Eu faço dinheiro,
dinheiro não me faz. Pra ser adulto, não é preciso abrir mão da pracinha, nem de
nada que nos faça bem. É só reorganizar o tempo e as prioridades. Enquanto o
objetivo de vida das pessoas for dinheiro, a vida vai continuar sendo uma
merda.
domingo, abril 28, 2013
Revoei
E, de repente, eu senti a leveza de me
interessar por outro alguém. Sem passado pesando, sem presente passando
despercebido. Fiquei feliz, não em começar uma possível nova história, nem em,
quem sabe dessa vez, acertar. Não tava surtando e planejando um futuro lindo,
com filhos correndo pela casa e cachorro no quintal, com o cara que eu mal
conheço. Nada de planos bonitos, que sempre acabam rasgados pelo chão. Era um
interesse simples, era pele, olhos nos olhos, arrepio, nada demais. O que me
fazia sorrir de canto a canto era eu estar andando na direção de um outro
alguém, sem me sentir acorrentada a nada e a mais ninguém. Sem nenhuma
expectativa e nenhuma obrigação. Não tava ali pra adormecer minha dor por umas
horas, não tava distraindo minha saudade. Tava ali e só, ficando bem, sem
forçar. O ponto não era o novo cara, entende? Era meu reabrir de asas. Revoei.
segunda-feira, abril 22, 2013
Sai desse bolso, princesa
Não tem conselho de amiga que dê
jeito. O cara pode chegar e dizer com todas as letras que não quer mais nada e
nunca quis, pode fazer e falar o que for, ficar com a sua amiga, sua vizinha,
sua prima. Você tem mil argumentos na manga, pra ver todo e qualquer vacilo com
babados cor-de-rosa. Coleciona desculpas, pra que toda a culpa do cara mais
idiota do mundo, pareça acidente ou fique minúscula e desculpável. O mundo pode
gritar a verdade no seu ouvido, o cara esfrega ela na sua cara, mas você prefere
permanecer de olhos fechados e ouvidos tampados, brincando de se enganar.
Esqueceu como se brinca de ser feliz. Você e sua dor, presas numa bola de ar.
Sua opção, triste e solitária. A menina de antes não precisava suplicar amor,
ter alguém do lado dela por pena. Agora vamos fazer as contas: Você era linda
em todos os sentidos possíveis, agora é o que? Perdeu o sorriso incrível, a
paz, o encanto, a leveza, o amor-próprio. Perdeu o valor, se guardou no bolso
de um imbecil, pequena e compacta. Quem ia querer alguém assim? E a menina que
sonhava grande? Seus sonhos não cabem no bolso dele, abriu mão também? Eu posso
entender seu sacrifício sem recompensa, mas agora me responde só uma coisa: O
que você ganhou, além de dor? Sua felicidade não cabe na bolha de ar. Se nem
você se ama, como pode pedir isso pra alguém? Sai desse bolso, princesa. Você é
mulher, dele ou não. Não é moeda. Azar de quem te perdeu! Deixa ter sorte, quem
te encontrar.
segunda-feira, abril 15, 2013
Deixo por conta destino, espero e confio
Poderia ter sido diferente. Mas se
fosse, será que teria sido pra melhor? Quem vai saber? Melhor ter ficado assim,
tudo mais ou menos, tudo sem mais nem menos, tudo reduzido a nada, numa fração
de segundos. Confio muito em destino, num plano maior, forças do universo em
conspiração. Me acha doida? Talvez, mas é que acreditar que tudo depende só das
pessoas, essas que vivem fazendo pouco do amor e substituindo seus valores por
etiquetas, me parece tão pequeno, nunca me bastou. Não vou te dizer que aceito
bem tudo que me é arrancado ou vai embora por vontade própria, sem dizer adeus.
Não vou fingir que não dói e que eu não preferia ter optado, não vou esconder a
saudade. No começo é uma tortura, não é nada fácil, não nego. Mas, mesmo com
tudo à flor da pele, eu não me esqueço dessa coisa de karma, de tudo acontecer
por um motivo e na hora certa. Não demora muito e eu até acho melhor, solto o
mundo e deixo que voe o que quiser voar. Que fique o que quiser e tiver que
ficar. É muito mais triste e solitário me apegar ao que não me pertence, me
fechar pra coisas maravilhosas, por estar presa numa história breve e condenada
ao fim. Só respiro fundo e espero, com fé e um certo alívio, que o que for
realmente meu, volte muito mais bonito, forte e mais meu do que nunca. Ou,
minha opção preferida, que nunca vá. Amém.
domingo, março 24, 2013
Não estou à venda
Naquela noite eu devia estar sendo leiloada e esqueceram de me avisar. Já me explico. Trajeto casa de uma amiga-boate, paramos num barzinho, tava cedo. Sem perder tempo, o primeiro carinha da noite já veio me entediar. O nome dele eu nem lembro, mas posso te falar horas sobre o carro do sujeito. Não entendo nada de carro, mas decorei até a placa, de tanto que o mala repetia, enquanto eu tentava sair estrategicamente. O motor era o melhor, a roda era a melhor, carro caríssimo, pintura personalizada, se eu ganhasse dez centavos toda vez que ele falasse "O meu carro", eu poderia ter comprado aquele bar. E eu desejando, do fundo do meu coração, que as quatro rodas estourassem naquele momento. Que preguiça. Saímos com pressa, chegamos na boate e encaramos a fila. Mas eu ter paz naquele dia era pedir demais, então claro, não podia ficar tranquila enquanto esperava. O segundo carinha tinha casa até no inferno. O pai era empresário, a mãe socialite, tinha mil cachorros de raça pura, alguns carros, casa de três andares, piscina, trezentas suítes e banheiros... juro que ele descreveu. Pegou alguma coisa sem importância da carteira, só pra eu ver o dinheiro. Ele falando sem parar sobre todos os milhares de bens materiais que ele tem espalhados pelo mundo e eu só conseguia ver uma placa escrita "Babaca" em vermelho, piscando em neon em cima dele. Hoje estavam todos decididos a monologar comigo, não foi difícil notar. Enfim, entramos. Não demorou muito até chegar o terceiro. "Quer quantos baldes? O que você quer beber? É só falar! Quer camarote?" Não consegui mais esconder minha abominação. Tava extremamente incomodada e já tinha gastado toda a minha paciência. "Meu filho, olha bem pra mim e me responde: Tô na esquina?" Ele riu, achou que fosse alguma piada "Não, por que gata?" Aquele ‘Gata’ me deu nos nervos. "Ótimo! Porque eu não sou puta, achei que isso tava um pouco confuso pra você!" Fui grossa, foi merecido. Ele saiu, sem graça, fiquei leve. Naquela noite foi excessivo, mas isso é mais normal do que "Bom dia" nos dias de hoje. Aliás, rola mais do que "Bom dia", diga-se de passagem. Sempre me sinto mal, dessa vez, queria registrar meu nojo. Não pelos imbecis que já se apresentam mostrando o nome no cheque. Mas pelas "mulheres", que se achando muito espertas, aceitam, gostam e estimulam esse tipo de comportamento lamentável e triste. Uma pena seu valor ser uma etiqueta nas costas, sujeita a negociação. Uma pena eu ter que ser negociada, porque vocês tão na vitrine.
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