segunda-feira, abril 22, 2013
Sai desse bolso, princesa
Não tem conselho de amiga que dê
jeito. O cara pode chegar e dizer com todas as letras que não quer mais nada e
nunca quis, pode fazer e falar o que for, ficar com a sua amiga, sua vizinha,
sua prima. Você tem mil argumentos na manga, pra ver todo e qualquer vacilo com
babados cor-de-rosa. Coleciona desculpas, pra que toda a culpa do cara mais
idiota do mundo, pareça acidente ou fique minúscula e desculpável. O mundo pode
gritar a verdade no seu ouvido, o cara esfrega ela na sua cara, mas você prefere
permanecer de olhos fechados e ouvidos tampados, brincando de se enganar.
Esqueceu como se brinca de ser feliz. Você e sua dor, presas numa bola de ar.
Sua opção, triste e solitária. A menina de antes não precisava suplicar amor,
ter alguém do lado dela por pena. Agora vamos fazer as contas: Você era linda
em todos os sentidos possíveis, agora é o que? Perdeu o sorriso incrível, a
paz, o encanto, a leveza, o amor-próprio. Perdeu o valor, se guardou no bolso
de um imbecil, pequena e compacta. Quem ia querer alguém assim? E a menina que
sonhava grande? Seus sonhos não cabem no bolso dele, abriu mão também? Eu posso
entender seu sacrifício sem recompensa, mas agora me responde só uma coisa: O
que você ganhou, além de dor? Sua felicidade não cabe na bolha de ar. Se nem
você se ama, como pode pedir isso pra alguém? Sai desse bolso, princesa. Você é
mulher, dele ou não. Não é moeda. Azar de quem te perdeu! Deixa ter sorte, quem
te encontrar.
segunda-feira, abril 15, 2013
Deixo por conta destino, espero e confio
Poderia ter sido diferente. Mas se
fosse, será que teria sido pra melhor? Quem vai saber? Melhor ter ficado assim,
tudo mais ou menos, tudo sem mais nem menos, tudo reduzido a nada, numa fração
de segundos. Confio muito em destino, num plano maior, forças do universo em
conspiração. Me acha doida? Talvez, mas é que acreditar que tudo depende só das
pessoas, essas que vivem fazendo pouco do amor e substituindo seus valores por
etiquetas, me parece tão pequeno, nunca me bastou. Não vou te dizer que aceito
bem tudo que me é arrancado ou vai embora por vontade própria, sem dizer adeus.
Não vou fingir que não dói e que eu não preferia ter optado, não vou esconder a
saudade. No começo é uma tortura, não é nada fácil, não nego. Mas, mesmo com
tudo à flor da pele, eu não me esqueço dessa coisa de karma, de tudo acontecer
por um motivo e na hora certa. Não demora muito e eu até acho melhor, solto o
mundo e deixo que voe o que quiser voar. Que fique o que quiser e tiver que
ficar. É muito mais triste e solitário me apegar ao que não me pertence, me
fechar pra coisas maravilhosas, por estar presa numa história breve e condenada
ao fim. Só respiro fundo e espero, com fé e um certo alívio, que o que for
realmente meu, volte muito mais bonito, forte e mais meu do que nunca. Ou,
minha opção preferida, que nunca vá. Amém.
domingo, março 24, 2013
Não estou à venda
Naquela noite eu devia estar sendo leiloada e esqueceram de me avisar. Já me explico. Trajeto casa de uma amiga-boate, paramos num barzinho, tava cedo. Sem perder tempo, o primeiro carinha da noite já veio me entediar. O nome dele eu nem lembro, mas posso te falar horas sobre o carro do sujeito. Não entendo nada de carro, mas decorei até a placa, de tanto que o mala repetia, enquanto eu tentava sair estrategicamente. O motor era o melhor, a roda era a melhor, carro caríssimo, pintura personalizada, se eu ganhasse dez centavos toda vez que ele falasse "O meu carro", eu poderia ter comprado aquele bar. E eu desejando, do fundo do meu coração, que as quatro rodas estourassem naquele momento. Que preguiça. Saímos com pressa, chegamos na boate e encaramos a fila. Mas eu ter paz naquele dia era pedir demais, então claro, não podia ficar tranquila enquanto esperava. O segundo carinha tinha casa até no inferno. O pai era empresário, a mãe socialite, tinha mil cachorros de raça pura, alguns carros, casa de três andares, piscina, trezentas suítes e banheiros... juro que ele descreveu. Pegou alguma coisa sem importância da carteira, só pra eu ver o dinheiro. Ele falando sem parar sobre todos os milhares de bens materiais que ele tem espalhados pelo mundo e eu só conseguia ver uma placa escrita "Babaca" em vermelho, piscando em neon em cima dele. Hoje estavam todos decididos a monologar comigo, não foi difícil notar. Enfim, entramos. Não demorou muito até chegar o terceiro. "Quer quantos baldes? O que você quer beber? É só falar! Quer camarote?" Não consegui mais esconder minha abominação. Tava extremamente incomodada e já tinha gastado toda a minha paciência. "Meu filho, olha bem pra mim e me responde: Tô na esquina?" Ele riu, achou que fosse alguma piada "Não, por que gata?" Aquele ‘Gata’ me deu nos nervos. "Ótimo! Porque eu não sou puta, achei que isso tava um pouco confuso pra você!" Fui grossa, foi merecido. Ele saiu, sem graça, fiquei leve. Naquela noite foi excessivo, mas isso é mais normal do que "Bom dia" nos dias de hoje. Aliás, rola mais do que "Bom dia", diga-se de passagem. Sempre me sinto mal, dessa vez, queria registrar meu nojo. Não pelos imbecis que já se apresentam mostrando o nome no cheque. Mas pelas "mulheres", que se achando muito espertas, aceitam, gostam e estimulam esse tipo de comportamento lamentável e triste. Uma pena seu valor ser uma etiqueta nas costas, sujeita a negociação. Uma pena eu ter que ser negociada, porque vocês tão na vitrine.
domingo, março 17, 2013
Eu não jogo, me jogo
Eu não jogo! Queria andar com um
crachá escrito isso, todos os dias. Um dia eu tava no banheiro da faculdade e
ouvi uma menina dizendo pra amiga "É minha filha, tem que saber
jogar!" e elas riram. Essa menina tava começando a ficar com um menino
lindíssimo, que tinha mil outras garotas atrás, na frente, dos lados. Eles tão
namorando há anos, felizes, acho que vão noivar. Tá errada ela? Tô errada eu?
Não sei, mas posso garantir que a vida pra ela é muito mais simples. Se eu
quero ficar com alguém e houver uma oportunidade, eu não vou enrolar mais uma
semana, um mês. Fazendo ele esperar, eu espero também e não nasci pra isso. Eu
sei bem que quando você é indiferente, eles te dão muito mais atenção e toda
essa coisa. Tenho preguiça de quase todos os caras que eu já fiquei e minha
preguiça desperta paixão, "amor", flores e declarações. Minha atenção
é sempre sincera e bem menos valorizada, já notei também. Se eu gosto, não
consigo fingir indiferença, não curto máscaras nem quando são
"saudáveis" ou “necessárias”. Se eu digo não, eu quero dizer não, sem
"mas" ou entrelinhas! Não me faço de difícil, não minto, não tenho
medo de ser julgada fácil, não me faço e ponto, acho que é bem por aí. Gosto de
você? Te digo. Não gosto? Deixo claro. O que você quiser saber, te conto,
verdades em pratos limpos, nosso almoço e nosso jantar. É um jeito bem mais
complicado de se levar a vida, mas eu nunca fui fã de facilidades, confesso. E
se o preço a se pagar por isso é gente indo embora, adeus, deixo a porta
aberta. Nunca me ausentei de mim pra prender um cara ou uma amiga. Sempre fui
completamente eu, sem me transformar em pecinha de jogo por uns dias, ser
fantoche das próprias regras friamente elaboradas. Admiro a praticidade da
menina do banheiro. Mas acho que tem que ser sincera, minha filha.
domingo, março 03, 2013
É só por isso que eu fico
Ele vacila, mas nunca vai embora. Eu
surto, fico monotemática, tenho paranoias a todo minuto, me canso, saio, volto,
descanso, a gente briga, mas ele não vai embora. Tenho crise de TPM, crise de
ciúme, crise de neurose, crise de carência e ele ali. Eu mudo o cabelo, a
roupa, a maquiagem, o esmalte, os piercings, os sapatos, os sonhos, a vida,
engordo, emagreço, a gente briga outra vez, ele continua. Entra e sai gente da
minha vida a todo instante, gente que eu nem esperava, menos ele. Outros caras
são mais gentis, carinhosos, me mandam flores e me enchem de atenção e elogios.
Me deixam maravilhosamente bem por alguns dias contados, não mais que isso. Mas
ele, do jeito completamente torto dele, sempre fica. Do jeito lindo dele, sempre.
Ninguém nunca tinha ficado antes. É por isso que eu fico também.
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