terça-feira, fevereiro 05, 2013
Amor impossível (de esquecer)
Conheci minha vida e ela já
era de outra. Eu sempre soube da sua faixa de Amor Impossível em volta de todo
o corpo, mas chegou num ponto que eu só conseguia ler o Amor. Eu me jogava cada
dia mais na gente e você sempre me dizendo pra eu me apoiar em algum outro
lugar, pra não terminar sem chão. Você não era firme, não era meu e eu sabia.
Agora, não me apegar ao nosso tudo camuflado de nada, isso era demais, não deu.
O difícil de entender nem é o amor acontecer bandido, invadindo e virando tudo
de pernas pro ar. O difícil é você deixar toda a magia de lado, pra viver uma
vida fria e automática fora da minha, da nossa. Não entendo a questão que você
faz do seu nada fantasiado de tudo, nunca vou entender sua escolha ou covardia.
Chega de medo de esclarecer as coisas, quero cartas na mesa, preto no branco,
você comigo ou sem mim. Chega de medo de saber o que eu sinto pra te restar
alguma sensação de menos culpa porque, mesmo que em silêncio, tudo isso grita
em mim todos os dias e grita teu nome. Então responde. Vem ser feliz ou fica
pra uma vida sem sal e sem amor. Quando você for embora, posso ficar sem chão,
como já era de se esperar. Mas uma hora eu me refaço, porque sou inteira e de
verdade, pago o preço por isso, mas também tenho minhas garantias. Mas e você? Acha
mesmo que o seu chão é firme? Acha mesmo que tem um chão? Grandes mudanças são
sempre muito difíceis, mas viver cômodo nunca vai ser viver.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
Foi e eu respeito
Eu que sempre ando cheia de
palavras, fiquei sem. Não optei por guardar ou coisa parecida, me faltaram de
verdade. Eu que sempre tenho listas de mil coisas que posso ou devo fazer,
fiquei sem ação. Eu que me jurei ser discreta, minha, não me expor, tava ali,
sem nada, desarmada e impotente. E precisava dividir minha dor, porque batia
fundo na carne, sem armadura, e doía mais forte. Precisava distribuir culpas,
ainda que não houvesse. Precisava vomitar tudo que me fugiu, pra não viver de
estômago embrulhado. Tá tudo bem, vai passar, sempre passa. Era justamente isso
que me chateava, eu não queria que passasse. Não agora, não incompleto, não
vivo assim. Não queria abortar a gente. Não, mas eu aceito, não há nada mais
que eu possa fazer. Passei anos sendo limitada e acabei viciada em respeitar
espaços. Espaços que nem existem, ás vezes. E respeito uma decisão também, um
fim antes do final. Odeio, era o que eu menos queria, me chateia, mas eu
respeito. Assim, nu e cru, sem clichê pra enfeitar uma decisão pessoal e
egoísta. Tá indo porque quer, só. Foi bom, maravilhoso, foi amor. Foi e eu
respeito.
terça-feira, janeiro 22, 2013
Só não estraga
No meio dos meus planos de superação,
minhas falas ensaiadas e minhas tantas loucuras, apareceu você. Sentei pra
descansar de mim e, quando olhei, você já tava do meu lado. Não quis mais
levantar. Eu pensei em agendar uma hora pra ser imprevisível, mas você tava me
desconcentrando, me desconcertando. Eu morria de vergonha e me sentia à vontade.
Eu tinha medo e me sentia segura. Eu tava do avesso e com uma vontade estranha
de ficar. E toda a minha falta de jeito é porque, ainda que eu queira, não sei
fazer isso. Então facilita pra mim. Se eu ameaçar ir embora, me abraça. Se te
der vontade de levantar, deita em mim. Não surta, não planeja, não bloqueia,
não recua. A louca sou eu e tô aqui, quietinha. Não estraga.
sábado, janeiro 19, 2013
Paz, pode ser?
Não me desejem um grande amor de ano
novo. Me desejem paz! Porque é isso que eu quero, busco e não abro mão. Me
desejem amor-próprio e desapego por essa gente que não sabe se vai ou fica,
porque essa instabilidade é sintoma claro de não-amor e eu não mereço isso. Não
preciso disso. Não me apresentem seus amigos gatos, os amigos dos seus
namorados, o carinha gente boa da academia. Se for pra ser, eu encontro sozinha,
eu esbarro nem que seja no ponto de ônibus, nem que seja na padaria. Começar
qualquer coisa forçando barra é pedir pra terminar segurando todo o peso
sozinha e eu já tô com dor nas costas. Então me dá descanso e não mais
problemas. Não se arrepende por mim dos erros que me transformaram no que eu
sou. Não me diz como é o certo, como, quando e o que eu devo falar, vestir,
sentir, porque eu sou do avesso e se for diferente, deixa de ser eu. Entende?
Quem prefere o morno, o raso, a tranquilidade e equilíbrio, fica do lado de
outra, não vem querendo me mudar. Porque se eu não fizer tempestades, morro
afogada, então se quiser, fica, mas vê se aprende a nadar.
terça-feira, janeiro 15, 2013
Meu primeiro amor, meu último adeus
Dizem que primeiro amor a
gente nunca esquece, acho que é verdade. É bem radical, ou ele acontece tipo
conto de fadas, termina com carinho e vocês viram uma linda lembrança, ou ele
acontece violento, sem reciprocidade e deixando marcas pra sempre. E, grande
parte da pessoa que você vai se tornar, está diretamente ligada à forma como
esse primeiro amor chega e vai embora. Pois é, o meu passou longe de ser
qualquer coisa relacionada com paz. Nossos tempos nunca estiveram alinhados. Eu
só queria conhecer a vida ao lado dele, como uma criança, cheia de medos, amor
e esperando ele me dar a mão, pra eu atravessar a rua. Ele já era íntimo da
vida, queria segurar o mundo e, por isso, largou minha mão. Foi embora, mas nunca
me libertou. Sempre me quis na gaiola, enquanto ele voava sem destino por aí.
Voltava, me alimentava e retornava pra sua vida, que um dia havia sido nossa,
feliz, e era por isso que eu continuava ali, trancada. Até que numa dessas
vindas, ele me deu água, comida e mentira, aí foi demais. Me roubou tantas
coisas, matou minha menina. Hoje eu também voo, porque gaiola ficou pequeno
demais pra mim. Pra mim, minhas mágoas, minha repulsa, nosso fim. Agora eu
atravesso as ruas sozinhas, porque a vida tá tão mais convidativa e eu já não
preciso de guia turístico, banco minha felicidade sozinha. Meu primeiro amor,
minha primeira decepção, meu último adeus.
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