Queria fazer o mínimo que
você merece, já que não consegui fazer o máximo. Queria pedir desculpas. Eu
atropelei a gente, te deixei caído no chão e fui em frente, sem nem te dar a
mão. Porque o mundo tinha que ver o quanto eu era forte, o quanto eu tinha
aprendido. E, que injusto, quis vestir meus escudos logo com você, que só
queria me proteger. Fui brincar de ser cínica logo com quem me falava verdades
bonitas, só pra me ver sorrir. Resolvi bancar a sem coração até ele começar a
doer e eu não conseguir mais ignorar a existência dele e a sua. Era uma dor
pesada que, acima de tudo, gritava que eu havia feito tudo errado. E de fato
havia. Virei pra trás, desarmada e completamente arrependida, mas não te vi.
Nem no chão, nem num banco, nem em pé me observando errar. Imagino que esperar
tanto tempo uma pessoa que não te dá nem carinho pra compensar a espera, deve
ser mais do que cansativo, dolorido. Você foi embora, coberto de razão. Logo na
hora em que eu cheguei, despida de arrogância. E só pude lamentar toda a minha
força bruta, minha farsa ensaiada, meu estrago em você, em mim, em nós. Sentei
no banco e, dessa vez, eu que esperei. Ainda espero. Então vem aqui e senta comigo,
ou então só passa e diz que me desculpa, que pode não entender, mas me
desculpa. Minha culpa era só medo, fantasiado de tanta coisa, mas sempre óbvio
pra você. Hoje eu aceitaria teu colo. E ficaria feliz, em paz. Porque era só
disso que eu precisava, apesar das minhas fugas impulsivas. Hoje eu sei.
Desculpa?
terça-feira, outubro 02, 2012
terça-feira, setembro 25, 2012
Na minha cena, não
A gente já se conhecia, mas
resolveu se conhecer mais a fundo. Logo de começo, tudo já foi desandando e, de
repente, já tava cada um pra um lado. E tua vida ia te afastando cada vez mais
da minha, mas nunca chegamos a nos perder de vez. Você com a sua nova história
e eu por aí, escrevendo a minha. Até que nossos caminhos resolveram se cruzar
novamente e, dessa vez, pra valer. A gente foi se reaproximando até ficar
assim, eu encostada no teu peito, você deitado no meu colo, tudo em paz. Mas
nada tipo esses casais padrão de comédia romântica, a gente quase se mata e depois
cuida um do outro, briga e se enche de carinho. Juntos, sempre juntos. Até que
você resolveu relembrar tua velha história e eu odeio, porque detesto não ser a
única nos teus pensamentos, não suporto essas partes da tua vida onde eu não
era protagonista, outra era dona do meu papel. E me chateia você reviver isso
no meio do meu tempo, na minha cena. Me desconcentra e eu esqueço minhas falas,
perco meu foco, me perco de nós. Não estraga nossa história. Continua aqui,
comigo, pra gente brigar e fazer as pazes, pra só restar mais e mais carinho no
fim de tudo, como sempre. Não sai do nosso roteiro, não muda de filme. Não faz
o fim da nossa trama ser aqueles sem final feliz, com a mocinha abandonada e
injustiçada e todas essas coisas ruins. Não estraga, por favor.
quinta-feira, setembro 20, 2012
Que seja o que Deus quiser
Nunca fui de me arriscar e
sair pisando em falso, andando onde não tem chão. Mas você parece ser firme e
eu quase me jogo, apesar dos pesares. Porque eu te olho e vejo tanta coisa
linda, mas vejo principalmente minha possibilidade de felicidade. Alguma coisa
me diz que é você e eu não posso ignorar. Minha paz tão perto de mim, como eu
posso virar as costas e fingir que nada aconteceu? Eu tô morrendo de medo sim,
querendo mil equipamentos de segurança pra poder cair em você, sem dor. Mas não
cair em você, isso eu não cogito, não consigo, ia me torturar pra sempre e não
faria sentido trocar dor por dor. Toda a minha inquietação, loucura e meus
debates comigo mesma se calam quando você me olha assim, pra gente poder se
invadir em silêncio, em paz. Não sei de onde vem, mas alguma coisa dentro de
mim grita que dessa vez pode ser diferente e meu corpo já se decidiu por mim,
decidiu colar no teu. Não pude pensar muito, enquanto eu fazia a milésima lista
dos prós e contras e calculava uma ultima vez a probabilidade de dar certo,
você já tava em mim e vice-versa. E o bem que você me faz, tá acima de qualquer
lista, medo ou probabilidade. Que seja o que Deus quiser e que, da melhor forma
possível, seja realmente diferente. Que valha a pena, que valha o risco.
É
só o que eu espero.
sexta-feira, setembro 14, 2012
Única
Te vejo todos os dias, com a mesma cara, mesmas conversinhas, o mesmo você de sempre. E você insiste em dizer que gosta de mim, que sou única, mas que o que você quer mesmo é ser solteiro, ter todas as outras, tão iguais. Como se me devesse uma explicação, satisfação. Tudo bem, divirta-se. Que você faça ótimo proveito das meninas sem sal, das cínicas, das biscates, das certinhas, de todas que puder, todas que quiser. Que seu copo de vodka esteja sempre cheio e que, na medida do possível, você consiga se sentir preenchido também por todas essas suas escolhas vazias, essa tua vida cheia de momentos, mas sem nada que permaneça no dia seguinte, mês seguinte. Não precisa me falar, como quem se desculpa, com vontade de me congelar enquanto você vive. Guarda tuas desculpas pra você mesmo no fim de toda essa sua diversão barata que você chama de vida. Eu sou única, nisso você tá certo. Mas também sou a única que você não vai poder ter mais, pra ser o que te resta depois de tudo, porque quando eu quis ficar pro dia seguinte, tive que ir embora. Não ando pra trás, não sou cama pra ressaca, não sou colo pra cansaço de falsa liberdade. Ou me escolhe, ou me perde. Não fico acampando, esperando o dia seguinte do fim da tua escolha triste. Sou única, não esquece.
segunda-feira, setembro 10, 2012
Uma pena
Fez tanta questão e agora eu te pergunto: Pra que? Atormentou minha vida, enchia os meus dias, fazia de tudo pra que eu fosse tua e pra que? Um dia me rendi, me entreguei, me perdi. Teu desejo realizado, eu apaixonada, finalmente o começo da nossa história. Aí você enjoou, simples assim. Como quem deseja muito um casaco, se desdobra pra comprar e quando finalmente consegue, logo perde a graça. Você joga no armário e deixa esquecido, não te aqueço mais. Optou por um novo casaco, um novo alguém. Outra que em breve vai estar perdida no armário também, que vazio. E eu fico aqui pensando, o quão infeliz é uma pessoa assim? Quer ter por capricho, nada além disso. Coleção de casacos e o frio nunca passa, porque o problema não é dos casacos. Então que você seja feliz assim, congelado, insatisfeito, procurando em alguém tudo que te falta e não conseguindo se preencher nunca. Uma pena tuas vontades breves, tua vida vaga, seu sorriso sem paz, meu tempo perdido. Uma pena você.
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