Fiquei mal, ainda que eu já
esperasse, a gente sempre espera não querendo que aconteça. Já tinha sido assim
antes, eu conhecia o fim de trás pra frente e não ia fazer as mesmas coisas,
errar comigo assim de novo. Acabei de sair de um inferno, jurando que não ir
arriscar entrar em outro tão cedo, aí você aconteceu e eu não consegui e nem
quis evitar. Tudo que eu queria era paz, mas você me fez tão bem e eu fui
ficando, gostando, me apegando demais. Eu tenho medo todo dia, todo minuto, mas
eu também morro de vontade, saudade de você, então eu paro de pensar nisso tudo
e acordo e vou dormir mais um dia pensando em você. Não quero namorar, casar e
ter filhos semana que vem. Não queria nem me envolver com ninguém desse planeta
tão cedo. Só queria ficar parada, quietinha, pra nada me doer outra vez. Só que
eu gosto muito de você, muito mesmo, de alguma forma estranha, ainda que esteja
cedo pra isso, ou tarde, eu gosto demais. E, apesar dos pesares, eu prefiro
estar com você hoje, amanhã e depois. Sem contrato de amor eterno, sem peso,
sem pressão. Até o dia que não der mais e só, foi bom, acabou. Sou do tipo que
quando decide alguma coisa, paga pra ver. Se for caro, tudo bem, porque tudo
passa sempre. E se você escolher passar agora, tudo bem também. Eu escolho
você, que fique claro. Mas se prefere ir embora, se cuida, não vou te pedir pra
ficar.
domingo, dezembro 02, 2012
quarta-feira, novembro 28, 2012
Meio cheia, meio vazia
Ando cheia de vazios
ultimamente. Tentei comer alguma coisa, mas não era fome. Aí comecei a ler um
livro, mas não era tédio. Tava precisando de alguém, só podia ser isso. Então
fiquei com um cara, mas não era carência. Ou era tudo junto, não sei. Só sei
que as coisas me enchem ou me faltam demais e eu não consigo achar um equilíbrio.
Não tô dando conta de mim e ninguém mais dá também. Ás vezes tenho um corpo, ás
vezes uma alma, mas nunca os dois. E pela metade assim não me basta, pouco
nunca me roubou a solidão. Na cabeça passam mil filmes, tenho milhares de
conversas comigo mesma todos os dias, ensaio falas que nunca são ditas, quase
enlouqueço. Ou já enlouqueci. O coração vai batendo cansado, sem motivo pra
acelerar. Talvez eu precise de alguém pra ocupar os pensamentos e todo o resto.
Talvez eu só esteja em crise e precise melhorar minha relação comigo mesma, me
conhecer mais a fundo. Ou conhecer novas pessoas, sair da rotina. Só sei que eu
preciso de alguma coisa e preciso pra ontem. Me tira dos dias iguais, da medida
de sempre, caminho de sempre, do nada. Me tira da linha, que eu sei o caminho
de volta. Quem sabe eu volte em breve ou não volte mais.
domingo, novembro 18, 2012
Antes eu fosse a menina do bar
Por um tempo eu tentei convencer o
mundo e a mim mesma, que eu era a menina de decote, maquiagem carregada e
risada alta na fila do bar. Mas a verdade é que eu nunca fui. Acho incrível
essa forma desapegada de dar sequência na vida, as piadas e histórias loucas e
vazias. Mas nunca fui a menina do bar, uma pena. Pra ser sincera, eu tenho
preguiça das outras pessoas da fila, dos meninos na porta do banheiro, das
músicas sem letra, das cantadas baratas. Não conseguiria ser essa menina,
embora ache um jeito bem mais simples de encarar o mundo, porque isso tudo me
dá sono, mesmo entupida de energético. Porque antes do fim da noite eu já tô
sentada, brincando com o canudo do drink, esperando a hora de ir embora. A
impressão que eu tenho é que eu tô sempre esperando a hora de ir embora, de
qualquer lugar e qualquer pessoa. A menina da fila tá dançando com o terceiro
ou quarto cara da noite. Ela é divertida e linda. E eu queria ser assim, só que
as pessoas são tão desinteressantes e previsíveis, que eu prefiro o canudo.
Levantei e fui ao banheiro, ela tava lá, retocando a maquiagem. Enquanto eu
lavava as mãos, ela arrumava o salto e reclamou “Nossa, dói demais, né? Mulher
sofre!”. Eu sorri e concordei. Doía mesmo, quem dera fosse só o salto. Olhando
nós duas pelo espelho, uma do lado da outra, a diferença era só o modelo do
vestido. Mas éramos muito mais diferentes que isso. Ela tinha paciência com os
babacas, o barman lerdo, os amigos bêbados, as meninas de nariz em pé. Ela só
queria dançar, beber e curtir, porque a vida é complicada. Eu já entrei cansada
e preferia o sofá, o copo, o canudo e todas as coisas sem vida daquele lugar,
porque as pessoas são complicadas. Antes eu fosse a menina do bar.
quinta-feira, novembro 08, 2012
A gente podia, sei lá, dividir o céu
A gente podia ter acontecido
antes. Antes de qualquer começo virar fim antes de começar, antes desse medo
todo, do coração preferir gelar do que bater mais forte. Antes das esperanças
terem perdido a cor e a gente desacreditasse de tudo e todos. Mas antes, talvez
eu não estivesse pronta pra cuidar de você como deve ser. Não sabia as medidas,
não me conhecia o suficiente pra ser o meu melhor. Então, mesmo com meu corpo
gritando pra eu recuar, minha cabeça me lembrando do fim das minhas outras
tentativas e o meu peito batendo travado, mesmo com todo o medo do mundo, eu
escolho você. Escolho tentar outra vez, aprender, ensinar, te fazer feliz. É só
você deixar seu medo na gaveta também, junto com o meu. Fecho os olhos, me jogo
e confio que você vai segurar. Confia em mim também. Toma um café e entende que
ser dono dos meus melhores sorrisos já é bonito demais, certo demais. Vem ser
dono de todo o resto. Não tô dizendo que vai ser fácil, mas eu tô disposta a
remar até o fim se você me der a mão, remar comigo. Só acho que tá na hora da
gente reaprender a voar. E eu ia amar dividir o céu contigo.
domingo, outubro 28, 2012
Eu, você e reticências
Tanto tempo do seu lado, que
eu não sei mais ir embora. E não quero. Sempre que eu termino um novo amor, é
você que me consola. Toda vez que eu preciso de um colo, por qualquer motivo, é
pro seu que eu corro. Você recarrega minhas forças, meu amor, minhas
esperanças. E quando eu tô completa de novo e aparece um possível romance, a
gente se dá uma pausa, pra eu poder me concentrar, tentar uma nova história.
Que não flui e eu volto pra você, de olhos fechados, como sempre. E você também
tenta suas histórias por aí, mas tudo acaba sempre igual: eu, você e
reticências. Não importa quantas vírgulas a gente ponha, imponha, o fim é
sempre nós em continuidade. Suas aventuras, as minhas, nada dá certo, mas a
gente nunca dá errado. Você sabe o que fazer, como fazer, quando. Você sabe do
que eu preciso, melhor que eu mesma. E é por isso que eu me sinto segura.
Encosto em você e desabo, porque eu tenho certeza que você sabe como segurar. E
sabe mesmo, sabe bem. A gente tem alguma coisa linda, que mesmo sem um nome ou
rótulo, me faz um bem sem tamanho. A gente é alguma coisa que nunca foi
conversada ou decretada por nós, mas é bem mais que amizade e no fundo você
sabe, eu sei. Nossa magia não é segredo. A gente recebe votos de felicidade, o
destino conspira a nosso favor e você me irrita só pra me ver brava. O amor
grita e a gente finge que não escuta. Eu, por medo de perder a melhor coisa que
eu tenho nessa vida. Você, quem sabe? Só sei que você tá certo, sou louca e estranha.
Apaixonada e tua.
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