Queria gritar que te amo,
mas sussurro, pra ninguém escutar. E a gente segue assim, no escuro, andando
contra o mundo que não aceita nós dois juntos. Diz pra eles que nada disso me
impede de ser louca por você. Explica que os tantos obstáculos e essa distância
imposta não diminuem meu amor, não te expulsa de mim. Eu queria ser parte da
tua vida assim, do jeitinho que ela tá, não me importo. E quem tem que decidir
sou eu, conta isso pra eles. Se tudo isso é pra tentar me proteger da dor, tá
muito errado, porque essa tentativa já me dói absurdamente. Eu durmo coberta de
saudade e o que me conforta é lembrar de você. Eu continuo andando, em direções
obrigatórias, mas na certeza de parar por aí, pelo seu caminho. Porque você tá
em tudo que é meu e isso ninguém tira. Faz assim, conta pra eles que amor não
se proíbe, que ele cresce sozinho, não precisa de permissão. Só chega e domina
a gente, com ou sem luz. Quer saber? Deixa que eles vão descobrir sozinhos...
domingo, outubro 14, 2012
segunda-feira, outubro 08, 2012
Toda ressaca passa
Das ressacas, tive a
pior, a ressaca moral. Sem remedinho, repouso ou simpatia pra passar. O
telefone de um lado, o orgulho do outro. Um filme da noite passada, sem final
feliz. Eu sem você. O mundo me apontando o dedo, como se já não bastasse o meu.
Acabou o café, acabou o sono, acabaram as desculpas pra não sair e encarar o
mundo. Só que, por sorte, acabou também minha paciência de ouvir lição de moral
de quem não tem moral faz tempo. Fiz porque eu quis e faço de novo, quando me
der vontade. Foi assim que eu saí pela primeira vez depois do ocorrido, dando a
cara a tapa, com meu melhor batom, uma roupa escolhida a dedo e um foda-se na
ponta da língua. Não economizei grosseria, tô cansada de poupar pessoas que não
se esforçam o mínimo pra me poupar de nada. Anota aí grossa na sua lista de
julgamentos, joga na minha cara outro dia, numa próxima oportunidade. Quem não
erra? Faça-me o favor, pra que tanta rispidez por eu ser humana? Podia comprar
uns pães e usar o saco na minha cabeça, pra me esconder de toda essa falação,
mas eu não ia conseguir me esconder de mim, então deixei pra lá. Só continuei
ereta e me vesti de deboche. Porque não vale a pena, ninguém tava falando pra
me ver feliz, era só pelo prazer de julgar, só queriam o gostinho de me ver na
pior e isso eu não podia dar. Voltei pra casa e o telefone continuava me
encarando, mas nada de tocar. Tá querendo que eu ligue? Pode desistir. Se
ninguém mais se arrependeu nessa história, não seria eu quem iria inaugurar.
Não sou de deixar pra lá, porque esse “lá” é sempre algum lugar dentro de mim e
as coisas me assombram por anos. E sou impulsiva demais pra fazer o papel de
vítima, nunca encarno o personagem e acabo me desculpando por coisas que eu nem
fiz, só pelo hábito de ser vilã. Peguei o celular, depois de muita luta, deixei
mensagem: “Não sou de cobrar, acho que as coisas tem que acontecer num fluxo
natural. O que te cobrei, porque me doía a ponto d’eu atropelar minhas regras,
te deixei faltar. Deixei, talvez, porque você me faltou demais e pra preencher
teus espaços precisei de mais que textos, músicas e saudade. Se alguém chegou,
foi porque você deu espaço. Eu não soube distribuir as vírgulas, porque sou
assim, saio atropelando tudo, sem pausa, errei. Ainda tenho moral porque não
fiz nada por aventura, fiz por desamor. E quando se trata disso, pra todo erro
há uma absolvição. Não sei você, mas eu me perdoei. E me basta, porque de
alguma forma absurda e irônica, fui a maior lesada dessa história toda. Mas me
perdoei.” E deitei de consciência tranquila. A mensagem tinha sido meu remédio.
Não contei pra ninguém essa história, muitos opinam e repassam boatos por aí,
mas poucos sabem com detalhes o que realmente aconteceu. Sou muitas e todas
elas são exigentes e críticas, então já enlouqueço sem ajuda, não preciso de
outros donos da verdade. Não contei porque não interessa. Só vacilei, fiquei
mal, encarei minhas consequências, deixei meu desabafo com quem merecia talvez
uma breve explicação e dei sequência na vida. Toda ressaca passa, depois a
gente procura por outra e por outra. Que também vão passar. Vomitei meu último
foda-se e fui dormir, em paz.
terça-feira, outubro 02, 2012
Desculpa o estrago, por favor
Queria fazer o mínimo que
você merece, já que não consegui fazer o máximo. Queria pedir desculpas. Eu
atropelei a gente, te deixei caído no chão e fui em frente, sem nem te dar a
mão. Porque o mundo tinha que ver o quanto eu era forte, o quanto eu tinha
aprendido. E, que injusto, quis vestir meus escudos logo com você, que só
queria me proteger. Fui brincar de ser cínica logo com quem me falava verdades
bonitas, só pra me ver sorrir. Resolvi bancar a sem coração até ele começar a
doer e eu não conseguir mais ignorar a existência dele e a sua. Era uma dor
pesada que, acima de tudo, gritava que eu havia feito tudo errado. E de fato
havia. Virei pra trás, desarmada e completamente arrependida, mas não te vi.
Nem no chão, nem num banco, nem em pé me observando errar. Imagino que esperar
tanto tempo uma pessoa que não te dá nem carinho pra compensar a espera, deve
ser mais do que cansativo, dolorido. Você foi embora, coberto de razão. Logo na
hora em que eu cheguei, despida de arrogância. E só pude lamentar toda a minha
força bruta, minha farsa ensaiada, meu estrago em você, em mim, em nós. Sentei
no banco e, dessa vez, eu que esperei. Ainda espero. Então vem aqui e senta comigo,
ou então só passa e diz que me desculpa, que pode não entender, mas me
desculpa. Minha culpa era só medo, fantasiado de tanta coisa, mas sempre óbvio
pra você. Hoje eu aceitaria teu colo. E ficaria feliz, em paz. Porque era só
disso que eu precisava, apesar das minhas fugas impulsivas. Hoje eu sei.
Desculpa?
terça-feira, setembro 25, 2012
Na minha cena, não
A gente já se conhecia, mas
resolveu se conhecer mais a fundo. Logo de começo, tudo já foi desandando e, de
repente, já tava cada um pra um lado. E tua vida ia te afastando cada vez mais
da minha, mas nunca chegamos a nos perder de vez. Você com a sua nova história
e eu por aí, escrevendo a minha. Até que nossos caminhos resolveram se cruzar
novamente e, dessa vez, pra valer. A gente foi se reaproximando até ficar
assim, eu encostada no teu peito, você deitado no meu colo, tudo em paz. Mas
nada tipo esses casais padrão de comédia romântica, a gente quase se mata e depois
cuida um do outro, briga e se enche de carinho. Juntos, sempre juntos. Até que
você resolveu relembrar tua velha história e eu odeio, porque detesto não ser a
única nos teus pensamentos, não suporto essas partes da tua vida onde eu não
era protagonista, outra era dona do meu papel. E me chateia você reviver isso
no meio do meu tempo, na minha cena. Me desconcentra e eu esqueço minhas falas,
perco meu foco, me perco de nós. Não estraga nossa história. Continua aqui,
comigo, pra gente brigar e fazer as pazes, pra só restar mais e mais carinho no
fim de tudo, como sempre. Não sai do nosso roteiro, não muda de filme. Não faz
o fim da nossa trama ser aqueles sem final feliz, com a mocinha abandonada e
injustiçada e todas essas coisas ruins. Não estraga, por favor.
quinta-feira, setembro 20, 2012
Que seja o que Deus quiser
Nunca fui de me arriscar e
sair pisando em falso, andando onde não tem chão. Mas você parece ser firme e
eu quase me jogo, apesar dos pesares. Porque eu te olho e vejo tanta coisa
linda, mas vejo principalmente minha possibilidade de felicidade. Alguma coisa
me diz que é você e eu não posso ignorar. Minha paz tão perto de mim, como eu
posso virar as costas e fingir que nada aconteceu? Eu tô morrendo de medo sim,
querendo mil equipamentos de segurança pra poder cair em você, sem dor. Mas não
cair em você, isso eu não cogito, não consigo, ia me torturar pra sempre e não
faria sentido trocar dor por dor. Toda a minha inquietação, loucura e meus
debates comigo mesma se calam quando você me olha assim, pra gente poder se
invadir em silêncio, em paz. Não sei de onde vem, mas alguma coisa dentro de
mim grita que dessa vez pode ser diferente e meu corpo já se decidiu por mim,
decidiu colar no teu. Não pude pensar muito, enquanto eu fazia a milésima lista
dos prós e contras e calculava uma ultima vez a probabilidade de dar certo,
você já tava em mim e vice-versa. E o bem que você me faz, tá acima de qualquer
lista, medo ou probabilidade. Que seja o que Deus quiser e que, da melhor forma
possível, seja realmente diferente. Que valha a pena, que valha o risco.
É
só o que eu espero.
Assinar:
Postagens (Atom)




