Eu sempre tentei entender sua magia. Sei lá, queria saber o que me prende dessa forma absurda numa pessoa completamente oposta das minhas idealizações. E talvez seja isso, né? Você chegou inofensivo e, quando dei por mim, minha vida já tava de cabeça pra baixo. Quando eu vi, já tava assim, você deitado no sofá, tirando o controle da minha mão, da minha vida. Abriu minhas gavetas, revirou minhas coisas, pegou meu caderno de regras e saiu riscando tudo. Que abuso. Quem você pensa que é? Quando fica desconfortável, vai mudando de posição, todo espaçoso, pegando mais uma almofada. Nem me pede. A realidade é que você tá acostumado com a casa, sabe andar de olhos fechados, conhece cada lugar de tudo. E eu tô acostumada com você por aqui, visitando com esse ar de dono, sabendo mexer nas coisas sem bagunçar. Gosto da sua companhia porque, apesar dos pesares, ela é intensa e isso me fascina. Sentir o peso do seu corpo e ter a certeza que ali comigo tem mais que um corpo e só. Sempre te deixo entrar porque, mesmo quando você tá ausente, você tá lá, de alguma forma. E porque te expulsar exige mais que uma simples mudança da fechadura, é preciso mudar cada centímetro de tudo, cada pedaço de você infiltrado. E eu prefiro assim, o sofá com seu cheiro, você espalhado, o amor fantasiado de liberdade.
segunda-feira, abril 09, 2012
quinta-feira, abril 05, 2012
Sabe o que eu odeio?
Gosto de me sentir desejada, mas odeio quem conversa comigo olhando pros meus peitos. Odeio quem grita "Psiu" no meio da rua, as gracinhas masculinas, odeio esses idiotas que me fecham pra morder a boca enquanto eu passo. Não gosto que me subestimem ou limitem minha capacidade, gente que acha que eu posso ser bonita ou inteligente, nunca os dois. Odeio gente muito feliz, que não respeita a mau humor matinal do próximo e faz piadas no nível máximo e irritante de felicidade ás sete da manhã. Na verdade, odeio gente assim em qualquer horário. Detesto dar "Bom dia" e ser respondida com uma cara feia. Me tira do sério gente que tem necessidade de atenção, de gritar pro mundo o quanto é foda. E também gente que vive pra convencer o mundo de que é uma pessoa que não chega nem perto de ser. Me irrita gente que pergunta o que houve com a cara de preocupação mais forçada do mundo só pra matar a curiosidade sobre o que aconteceu e, não contente, ainda resolve distribuir clichês do tipo "Tudo passa, né", "O tempo é rei" ou "Deus sabe o que faz". Odeio quem senta do meu lado no ônibus e começa a contar a vida, ainda que eu esteja com fone de ouvido. Odeio não saber dizer não e ser simpática quando não devo. Me estressa gente que vem puxar assunto e deixa o assunto morrer depois do "Não tenho novidades". Odeio gente otimista que insiste em me tirar o prazer de reclamar. Também odeio os pessimistas ou realistas ao extremo, que nunca acreditam nos meus sonhos e eu tenho milhares. Detesto gente que confunde as coisas, que me ouve falar sobre o cara que eu gosto e minutos depois tenta me beijar. Odeio verão, odeio inverno, odeio não ter uma estação preferida. Odeio uma milhão de coisas, mas odeio principalmente, ainda assim, conseguir ser infinitamente amor.segunda-feira, abril 02, 2012
Que se fechem as cortinas
Se você for silêncio, não haverá palavras ditas entre nós. Porque a única coisa que eu faço sozinha agora é ser feliz. Não vou amar por dois, falar por dois, entender por dois. Fazer minha parte já é muito trabalho e eu quase não dou conta. O que for pra ser, será. Não desespero, não corro, nem tento pular fases, atravessar tempos. Não mais. Tô com uma certeza estranha de que tudo vai dar certo, confio. Depois de uma tempestade, tô com medo até de brisa. Não quero nenhum tipo de cobrança agora, já me cobro demais. Acho que sou o meio das histórias, um meio sem saber como virar fim. Chego devagar, quando dou por mim, já comecei. E, aos poucos, me afasto, vou embora sem dizer adeus. Não por maldade, mas é que as coisas me tiram o ar e eu me sinto sufocada muito rápido. Canso de tudo, canso de mim também, de sempre me cansar. Aí eu volto pra histórias antigas, boto mais uma vírgula, começo uma nova, sem querer. E é também sem querer que sou impermanente ás vezes, é querendo permanecer que eu me ausento. Eu tento ser alguém mais estável, mais fácil, mais acreditada no amor e todas essas coisas. Mas no fim, meu teatro fecha as cortinas e eu de verdade entro em cena, pra finalmente ir embora, acreditando um pouco menos em tudo.quinta-feira, março 29, 2012
Mistério é pessoal
Me entender é um privilégio. Tem que ser pelo coração, tem que ser com a minha permissão. Não me esforço pra fazer sentido, gosto da dúvida, de nem eu mesma saber meu próximo passo. O que eu quero agora pode durar algumas horas, alguns anos, quem sabe? Só me explico pra mim mesma, e, ainda assim, não me entendo. Quem dirá as outras pessoas, que não acompanham nem o início dos meus pensamentos insanos, intensos, inteiros. Quem sou eu? O que eu quero da vida? O que eu tanto espero das pessoas? E o que eu desespero? Queria poder responder pelo menos uma pergunta, facilitar minha vida, estar à frente de mim. Demoro muito tempo pra tomar uma decisão, mas aí eu posso afirmar: decisão tomada não tem volta. Talvez minha certeza seja não ter certeza, minha resposta seja não ter resposta, Talvez meu mistério, que eu sempre quis ter, seja exatamente esse: ser um ponto de interrogação junto a uma exclamação. Falo sobre mim, meus amores e desamores com desconhecidos, sem tabus, sem problemas. Conto meus sonhos, minhas histórias, minhas ideologias. Aí me lembro que não tô sendo nada misteriosa, mas já foi, sou mais rápida que isso. Só que veja bem, mistério é muito relativo, muito pessoal. E, mesmo contando minha vida pra uma amiga ou um cara no bar, eu sou o mistério de ser hoje e só. Amanhã, já sou outra e nem eu me reconheço.segunda-feira, março 26, 2012
A vida sem manual
Ouvi dizer por aí muitas coisas, recebi mil instruções, infinitas receitas de como conseguir um bom relacionamento de gente que tá junto por pena ou carência. Muitas pessoas erradas, me dizendo o que eu deveria fazer pra ser certa, mas pouca gente dizendo que eu tinha que fazer o que me fizesse feliz e só. Tive que aprender sozinha a me fazer bem, a estar com gente do bem, a ser maluca pra não enlouquecer. Tive que saber a hora de me impor e de me calar, de lutar e de abrir mão. Foi difícil entender a hora de ficar e a hora de partir, o que vale a pena e o que não. Mas isso ninguém pode entregar pra gente em forma de manual. Tropecei muitas vezes antes de resolver mudar de caminho, até perceber que o problema não era eu ou a minha forma de andar. Chorei na frente de quem não devia, falei o que não precisava, senti sozinha ou absurdamente mais. Passei muito tempo de malas prontas, até finalmente ir embora. E nesse tempo aprendi a lidar comigo, pra poder ser uma boa companhia pra mim e não deixar qualquer pessoa do meu lado só pra me distrair. Foi te encontrando que eu me perdi, te perdendo que eu me encontrei. Foi partindo que eu pude entender minhas anotações vazias sobre a vida, o amor. Você foi causa de coisas boas e muitas ruins, mas, principalmente, me ensinou do jeito mais torto possível o que ninguém tinha conseguido com post-its e lembretes de felicidade: Me ensinou a me amar acima de tudo e todos, que a maior parte da magia de um relacionamento pode ser fantasia minha e que, não importa o quanto tudo foi bom, o próximo amor vai ser sempre o melhor, é só eu deixar.
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