segunda-feira, março 26, 2012

A vida sem manual


Ouvi dizer por aí muitas coisas, recebi mil instruções, infinitas receitas de como conseguir um bom relacionamento de gente que tá junto por pena ou carência. Muitas pessoas erradas, me dizendo o que eu deveria fazer pra ser certa, mas pouca gente dizendo que eu tinha que fazer o que me fizesse feliz e só. Tive que aprender sozinha a me fazer bem, a estar com gente do bem, a ser maluca pra não enlouquecer. Tive que saber a hora de me impor e de me calar, de lutar e de abrir mão. Foi difícil entender a hora de ficar e a hora de partir, o que vale a pena e o que não. Mas isso ninguém pode entregar pra gente em forma de manual. Tropecei muitas vezes antes de resolver mudar de caminho, até perceber que o problema não era eu ou a minha forma de andar. Chorei na frente de quem não devia, falei o que não precisava, senti sozinha ou absurdamente mais. Passei muito tempo de malas prontas, até finalmente ir embora. E nesse tempo aprendi a lidar comigo, pra poder ser uma boa companhia pra mim e não deixar qualquer pessoa do meu lado só pra me distrair. Foi te encontrando que eu me perdi, te perdendo que eu me encontrei. Foi partindo que eu pude entender minhas anotações vazias sobre a vida, o amor. Você foi causa de coisas boas e muitas ruins, mas, principalmente, me ensinou do jeito mais torto possível o que ninguém tinha conseguido com post-its e lembretes de felicidade: Me ensinou a me amar acima de tudo e todos, que a maior parte da magia de um relacionamento pode ser fantasia minha e que, não importa o quanto tudo foi bom, o próximo amor vai ser sempre o melhor, é só eu deixar.

quinta-feira, março 22, 2012

Namorar é coisa séria


Namorar é ótimo, mas quando vira uma necessidade, é um problema. Gente que namora a primeira pessoa que consegue, mesmo sem gostar, porque "o amor nasce depois". Nasce? Em que época isso? Papinho machista do tempo em que as mulheres tinham que casar com quem o pai escolhesse, eu acho incrível como ainda usam isso como argumento. Aí o cara começa a namorar a garota que conheceu a um mês ou menos, e depois de pouco tempo, descobre que ela é muito chata, não dá. Termina e, algumas semanas depois, namora aquela desesperada que vivia no pé dele a anos, porque é o que tem pra hoje. Daí ela, como era óbvio desde sempre, é desesperada demais, sufoca qualquer um. Em pouco tempo ele termina e já parte pra próxima, que vai ser isso demais, ou aquilo de menos também. E nada do amor nascer. Claro, porque pra início de conversa, o amor que tem que nascer primeiro é o próprio, porque isso é o cúmulo do não suportar a própria companhia. E depois, ninguém começa amando ninguém, certo, mas começar não sentindo absolutamente nada e acampar à espera do amor, eu acho completamente triste e em vão. O amor nasce de parto normal, você não escolhe o tempo. É assim, ele chega quando quer, pra quem ele quiser e vai embora por vontade própria também. Não se pode acordar e dizer "Que dia lindo, acho que hoje vou amar a Fulana!". O que vocês tão fazendo? Eu lamento muito, não por vocês, mas pela desesperada, pela chata e por tantas outras, que tem sentimentos e planos. Começar uma relação, mesmo que relâmpaga, envolve doação, confiança, sonhos... mesmo que só de um lado. Vocês tão buscando o amor errado, brincando com o que não é brinquedo. Se amem e deixa que a vida cuida do resto.

terça-feira, março 20, 2012

Quem gosta, gosta na sombra e no sol


Não é questão de compromisso ou uma cobrança a mais pra satisfazer meus caprichos. É que pra ficar do meu lado, tem que ser no escuro e no claro, na sua hora e na minha. Tem que ser nós dois, e quando preciso, nós dois e o mundo! Ficar comigo quando não tem ninguém olhando, nada melhor pra fazer, quando sua rua ou sua vida estiver deserta não vai rolar. Não quero a chave da sua vida, o monopólio do seu coração e pensamento, não quero te controlar, tô muito ocupada comigo mesma. Só quero que a pessoa que esteja comigo, segure o tranco de estar comigo, no mínimo. Não quero me sentir escondida, odeio essa sensação e não admito ser tudo na sombra e nada no sol. Não tenho mais paciência pra aturar quem faz discurssinho apaixonado numa noite qualquer e num churrasco não segura minha mão. Odeio esse desperdício de palavras, essa necessidade de falar tantas coisas inventadas, com medo de expor o que realmente se sente. Não tenho mais tempo pra essa imaturidade emocional, essa gente em cima do muro, essas cenas ensaiadas e repetidas. Não me importa com o que você está acostumado, como você costuma tratar todas as outras, se você não se sente a vontade com exposição. A única vontade que prevalece na minha vida é a minha, respeitei muito o espaço das pessoas e ainda respeito, mas agora também imponho o que me faz bem, também faço questão de ser respeitada. É assim que as coisas são, estamos combinados ou beijos, até um dia. Ou tá do meu lado ou não tá comigo, não tem outra opção.

sexta-feira, março 16, 2012

Não trabalha com sentimentos?


Eu juro que tentei fazer parte dessa tribo que não trabalha com sentimentos, que sai pelas noites curtindo a vida e sendo supostamente feliz. Só que me irrita essa gente que precisa de um litro de vodka pra dizer verdades, pra sorrir. Me incomoda essa felicidade engarrafada, esses sentimentos abafados, esses sorrisos forçados. Nem sempre eu tô feliz, mas sempre que tô sorrindo, é sincero, e é isso o que importa.  Sou do tipo que não precisa provar nada pra ninguém, já que no fim das contas, só eu posso me fazer feliz. Sentir menos como precaução é válido, mas querer convencer o mundo e a si mesmo que não sente nada, é tolice. Se meu momento é de ficar no quarto, chorando e me recuperando, não vou pra balada tirar foto feliz. Não atropelo meu tempo, pra não morrer atropelada. Por mim tudo bem, você pode diminuir mais o vestido, aumentar o decote e comprar outro batom vermelho. Mas e por dentro, seu coração tá de salto também?

terça-feira, março 13, 2012

Quem sabe agora...


Quando eu disse que estava indo embora, me libertando de você e deixando minha vida seguir, não foi uma ameaça ou uma tentativa desesperada de te prender. Foi um aviso, um adeus, uma última satisfação. Agora você deve estar me vendo mais longe, mais feliz e, quem sabe agora, acredite mais no que eu digo. Você me mostrou o quanto a vida pode ser boa com você, e eu viciei. Aí você veio e mostrou que também pode ser ruim e dolorido, e eu me libertei. Mas acima de tudo, você me ensinou que tudo pode ser maravilhoso quando eu tô bem comigo mesma, e esse é meu novo vício. E não há mais nada a se fazer ou dizer. Me queira bem, fica bem. Tenho todos os motivos do mundo pra te odiar, mas quando tudo passa e volta pro lugar, só resta carinho ou indiferença. E eu não me importo mais com o fim, tanto faz, já fui.
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