sábado, fevereiro 04, 2012

Do contra


Ser do contra não é discordar de tudo só pra chamar atenção ou só pelo prazer de discordar e ponto. É não concordar com qualquer absurdo só porque a maioria concorda. Ser do contra é um instinto, uma sensação boa de ser uma gota colorida num papel preto. É se manifestar, argumentar, convencer as pessoas do contrário ou só fazer eles enxergarem as coisas por um outro ponto de vista, sem abrir mão do delas. É o prazer de não fazer parte da tribo dos eu-também-acho. É a natureza de achar mil defeitos numa coisa que começa a fazer muito sucesso, fica muito popular. Do contras não sobrevivem de opiniões alheias, porque discordam sempre da maioria delas. Gente do contra consegue ter mil argumentos pra te convencer das verdades deles, mesmo quando eles percebem que não estão certos. É a qualidade de defender o que acredita até o fim, o defeito de não ouvir nada contrário. A diversão de ser desmascarada e não dar o braço a torcer, o orgulho de estar sempre certo. Tem gente que não gosta, gente que se irrita, eu acho um dom. E quem discorda, não me importa, minha verdade é a minha opinião.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Eu por mim, mais ninguém


E pra não receber a mesma resposta pela milésima vez, nem ter que pensar num jeito novo e ridículo de fazer a mesma pergunta esperando ouvir uma resposta diferente, parei de perguntar. Porque é muito patético eu ficar tentando me enganar e porque agora eu sei ficar calada também. Porque eu aposentei meu nariz de palhaça e só faço questão de quem faz questão de mim. Desocupei minha estante de prioridades pra caber infinitamente eu, sem me diminuir por falta de espaço. Por mais que me enlouqueça não ter o controle ou uma explicação pras coisas, eu aceito esperar, confio no destino e suas conspirações. Acredito numa força maior, que faz tudo acontecer no seu tempo. Sempre fui ansiosa demais pra esperar qualquer tempo que não fosse o meu, mas a gente tem que aprender. E a magia da vida é isso, não é? Ir espalhando pedaços da gente por aí mesmo, ir marcando e sendo marcada. Se renovar sempre que der, acreditar que nunca vai conseguir esquecer e amanhã deixar entrar novos amores, novas pessoas, histórias melhores. Aprender tanto e continuar não sabendo nada. Viver tudo como se fosse a primeira vez, porque de fato é a primeira vez. Ir procurando algum conforto em outras pessoas e, no fim, perceber que é sempre você por você, mais ninguém. Se trair e se perdoar, quantas vezes por preciso. Porque se quem a gente mais ama é quem a gente mais perdoa, sou o meu maior amor, sem dúvidas. Que bom. Quando tudo passa, me resta eu. Um pouco mudada, um pouco mais triste ou mais feliz, mais doce ou mais amarga. Mas sempre eu, sempre por mim e me basto.

sábado, janeiro 28, 2012

Hipocrisia não é malandragem


Pena dessa gente que precisa viver levantando a bandeira da liberdade e ridicularizando o amor pra ser feliz. Pena de quem diz que não quer se prender porque é foda demais e tem muito o que viver, mas no fundo só morre de medo se não segurar a barra que é manter um relacionamento. Desculpa, mas eu tenho vontade de rir dessas pessoas que se acham tão auto-suficientes, mas não suportam a própria companhia sem encher a cara de vodka ou sem passar um tempo com essas biscates por aí, que falam o que você quiser ouvir em troca de sacanagem. Mas tudo bem, vocês só precisam ouvir alguém alimentando essa coisa ridícula disfarçada de vontade de viver, aí vocês acreditam ou fingem acreditar e dão continuidade às suas vidas vazias, sempre gritando que querem sempre ser solteiros e todos esses clichês. Hipocrisia me enjoa. Malandro não grita que é malandro, isso é coisa de otário. De verdade, eu só desejo que um dia o amor dê um tapa na cara de vocês. Porque o amor, meu bem, ele chega e não pede permissão pra entrar. Ele não quer saber das suas ideologias, das suas farsas ou verdades. Ele chega bagunçando tudo e você não pode fazer nada, só assistir. Meu desejo acaba aqui. Só que aí tem a participação da vida, e a vida, meu amigo, não deixa por menos não. Talvez a pessoa que você ame, faça parte do movimento revolucionário dos super-humanos que se bastam e fogem de compromisso. E deixa eu ir te avisando, o amor, ele nem sempre chega pros dois lados. Quero ver onde vai parar toda essa malandragem! Esperto mesmo é quem não cospe pro alto. Um dia vocês vão aprender, mas isso eu deixo na conta da vida.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

A magia do vazio


 Eu queria, numa dessas noites que eu saio tentando te perder e me encontrar, ou vice-versa, achar graça no vazio. Simples, o vazio não enche, não diminui, não dói, não faz diferença. O vazio ocupa o tempo sem ocupar espaço, distrai sem deixar marcas ou maiores lembranças. O vazio é o hoje que não se estende até amanhã. Um cara na balada, um romance de um dia, um amor de algumas horas. Só que aí que tá! Lá tô eu falando de amor de novo, que coisa chata. Queria conseguir ser de alguém e deixar de ser, em espaço de minutos. Menos coração e mais pele. Agora é assim, meu corpo todo boicotando o coração. Chega, né? Todo esse tempo e só fez besteira, meu filho. Vamos aproveitar que eu tô me desligando de algumas pessoas e vamos desligar você também. Uma vontade de ser menos, pra depois ser absurdamente mais. Recuperar as forças e gastar as energias. Menos certeza e mais arrependimentos, por que não? Já sei o fim das histórias antes delas começarem, e é aí que eu começo a pensar que, talvez, esteja na hora de virar a vida do avesso. Se eu me perder, se você me encontrar, antes de continuar andando, me dá um abraço. Só me segura pelo braço, se não for mais soltar.

domingo, janeiro 22, 2012

Tô indo pra outras esquinas


Sabe, eu acho que quando você começa a ter argumentos imediatos pra destruir toda e qualquer desculpinha do garoto que você supostamente ama, parabéns, vejo o fim se aproximando. Eu, que espero mais pelo fim definitivo do que por qualquer outra coisa nesse mundo, posso finalmente dizer que não me sinto mais presa ou de olhos vendados. Enxergo as coisas claramente e quase nada me agrada. Migalhas não matam mais minha fome. Tô parada numa esquina fria e não sei o porquê. Já consigo andar, questionar, negar. Consigo dizer tantas coisas que ficavam só escritas por tanto tempo e, quem diria, sorrir. Sorrir pra outros caras, pra mim. Agora a melhor parte: Tô conseguindo não sorrir também. Quando vejo suas fotos, quando você dá sinal de vida. Sendo assim, tô indo pra outras esquinas, me perder, me encontrar. Te esquecer de vez e lembrar de mim. Olho pra você e penso em mil coisas que a gente poderia ter sido. Mas não penso mais em nada que a gente possa ser além de amigos, não vejo futuro, nenhuma expectativa. Você, enfim, no passado. Fiz de tudo e não deu em nada, por isso, não tem mais o que se fazer. Só ir embora. Já adiei minha hora, agora é pra valer. Você que sempre gostou de ganhar, jogar e me ensinou tanta coisa, agora vai aprender a perder.
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